1914-2014 CENTENÁRIO DE CAVELLINI




   Guglielmo Achille Cavellini (11 de Setembro 1914 – 20 de Novembro 1990), também conhecido como GAC, foi um artista e colecionador de arte italiano. Após iniciar-se como pintor, nas décadas de 1940-50, Cavellini torna-se um dos maiores colecionadores de arte contemporânea italiana abstracta, desenvolvendo desde então uma relação profunda de amizade com os artistas da altura. O papel de colecionador, bem como a relação próxima que estabeleceu com os artistas, são notabilizados na exposição com o título, Pintores Modernos da Colecção Cavellini (Modern painters of the Cavellini collection) na Galeria Nacional de Arte Moderna em Roma, inaugurada em 1957 com a presença do primeiro-ministro Italiano da Educação Pietro Campilli. A mostra expôs 180 trabalhos, e recebeu críticas positivas da parte de críticos de arte de renome. A exposição tornou-se então itinerante, primeiro em La Chaux-de-Fonds na Suíça, depois no Kunsthalle da Basileia, e por fim, seguiu para a Alemanha para ser mostrada no Staatliche Kunsthalle de Baden-Baden.


Durante as décadas de 1940-50, Cavellini tem a oportunidade de solidificar o seu papel de colecionador quando muitos jovens artistas o contactam para mostrar os seus trabalhos. Entre eles, o artista Renato Birolli, de quem Cavellini adquiriu a obra 86 Desenhos da Resistência (86 Drawings of the Resistance) e a pintura A Mulher e a Lua (The Woman and the Moon). Na sequência do seu papel de colecionador, Cavellini viaja para Paris para visitar muitas das galerias e museus de arte da cidade (o Louvre, o Petit Palais, Jeu de Paume, etc), mas também com a intenção de visitar os estúdios de artistas, entre eles Gino Severini, Gerard Ernest Schneider, Jean-Michel Atlan, Jean Dubuffet, Óscar Domínguez, Édouard Pignon e Henry Adam. Em Paris, adquiriu ainda obras de Hans Hartung, Maurice Estève, Alfred Manessier, Jean René Bazaine, Gustave Singier, Pierre Tal-Coat, Jean Le Moal, Léon Gischia and Gérard Ernest Schneider.

De volta a Roma, Cavellini conhece o crítico e historiador de arte Lionello Venturi (regressado a Itália após o exílio durante o regime fascista) que ao reconhecer a importância de Cavellini enquanto artista e colecionador, publica um artigo sobre ele no diário La Stampa. Também a revista XX Siecle, editada por Gualtieri di San Lazzaro, publicou um longo artigo sobre Cavellini escrito pelo professor e historiador de arte Giulio Carlo Argan. Este reconhecimento foi um incentivo para Cavellini continuar o seu papel de colecionador de vários artistas, entre eles o designado Grupo dos Oito (Afro Basaldella, Antonio Corpora, Giulio Turcato, Alberto Burri, Corrado Cagli, Giuseppe Capogrossi, Pietro Consagra, Nino Franchina, Leoncillo Leonardi e Mimmo Rotella), de quem adquiriu vários trabalhos. O reconhecimento foi também decisivo para fundir parte da sua vida privada na vida pública de colecionador e artista, nomeadamente quando parte da sua casa foi transformada numa galeria de arte com o design de AG Fronzoni, e inaugurada por sete artistas do Grupo dos Oito, pelo crítico de arte Giuseppe Marchiori e o escritor Giancarlo Fusco. Em 1955, a galeria de Cavellini foi visitada pelo historiador de arte alemão Werner Haftmann e pelo fundador da documenta Kassel, Arnold Bode. Nesse mesmo ano, a galeria foi visitada também pelos historiadores de arte Vittorio Viale and Palma Bucarelli, pelos poetas Eugenio Montale, Salvatore Quasimodo, Giuseppe Ungaretti, Beniamino Joppolo, e pelo pintor francês Maurice Estève. Nos anos seguintes, Cavellini conhece o artista Lucio Fontana no seu estúdio de Milão, adquirindo um dos seus holes, uma pintura de Osvaldo Licini e outra pintura de Asger Jorn.

No início dos anos sessenta, Cavellini decide recomeçar a sua actividade de artista com trabalhos neo-dadaístas, experimentando vários materiais como folhas, pasta esmaltada, papel de cada de banho, papel absorvente, entre outros. Seguindo a vertente subversiva dadaísta, Cavellini começa a destruir as suas obras, colocando as peças que sobram dessa destruição em pequenas gaiolas. Também queima obras, criando os famosos Carboni (carbonos). De seguida envereda pela performance e mail art. Em 1964 na Bienal de Veneza contacta com a pop art. Em 1965 expõe uma dúzia de trabalhos na galeria Apollinaire em Milão, e com a ajuda de Giovanni Fiorini cria trabalhos de homenagem a Georges Braque, Henri Matisse, Giorgio Morandi, Joan Miró, Fernand Léger and Giorgio De Chirico. Ainda em 1965, Cavellini viaja para a Rússia, visitando os museus de renome: o Pushkin e o Hermitage. Nesta viagem conhece ainda o Ministro da CulturaYekaterina Furtseva e o cosmonauta Yuri Gagarin. De volta a Itália, com a chegada da arte povera conhece Michelangelo Pistoletto e Giulio Paolini, adquirindo simultaneamente obras de Mario Merz, Giovanni Anselmo, Gilberto Zorio e Jannis Kounellis. No ano seguinte, em 1966, viaja pela primeira vez aos Estados Unidos, e visita entre outros museus, o Metropolitan onde vê Guernica de Pablo Picasso, e obras de Claude Monet e Paul Cézanne.

Em 1971, Cavellini inventa o conceito autostoricizzazione (auto-historicização) sobre o qual ele se debruçou para criar uma história popular deliberada em torno de sua existência. Curiosamente, ele concebeu 16 manifestos (Posters) para a exposição que ele imaginou que aconteceria em 2014 nos museus mais importantes do mundo para celebrar o centenário de seu nascimento. Ainda no início dos anos setenta, Cavellini conhece Rina Majoli, directora da galeria milanesa Cenobio-Visualità, que decide expor os seus posters.  Cavellini foi ainda autor de livros, Abstract Art (1959), Man painter (1960), Diary of Guglielmo Achille Cavellini (1975), Encounters/Clashes in the Jungle of Art (1977) and Life of a Genius (1989), e criou 25 capas para livros, onde pessoas importantes do passado e do presente teriam escrito para ele, expostas também na galeria Cenobio-Visualità:
Saint Augustine, The Confessions of Cavellini
Dante Alighieri, The Divine Cavellini
Giulio Carlo Argan, History of the Art of Cavellini
Charles Baudelaire, Les fleurs du Cavellini
Marcus Tullius Cicero, Orations for Cavellini
Charles Darwin, The Evolution of Cavellini
John the Evangelist, The Apocalypse of Cavellini
Sigmund Freud, Psychopathology of the Life of Cavellini
Galileo Galilei, Discourses on Cavellini
Leonardo da Vinci, Treatise About the Painting of Cavellini
Nikolai Lobachevsky, New Principles of Cavellini
Immanuel Kant, Critique of Cavellinian Reason
Nicolò Machiavelli, Prince Cavellini
Mao Zedong, Pensieri di Cavellini
Karl Marx, Il capitale di Cavellini
Henry Miller, Tropic of Cavellini
Molière, Imaginary Cavellini
Friedrich Nietzsche, Thus Spoke Cavellini
Omero, Odyssey of Cavellini
Ovid, Metamorphosis of Cavellini
Saint Paul, Letters to Cavellini
Jean Paul Sartre, The Nausea of Cavellini
William Shakespeare, Achille
Giorgio Vasari, Life and Works of Cavellini
 
 






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