quinta-feira, 26 de setembro de 2013

exposição prolongada até 5 de outubro


                                                                                          FINISSAGE > 5 de outubro>18H-20H 

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

INAUGURA AMANHÃ 7 SETEMBRO 16H>20H


O ESPELHO SEM MULHER – FOTOGRAFIA FICCIONADA

SUSANA NEVES

Imagine-se um espelho insubmisso que não reflecte a realidade tal como a ‘julgamos’ ver. Em vez disso, deitando entre outras coisas Narciso pela borda fora, decide ele próprio recriar tudo, desde a antiga deusa-pássaro Atena, da Grécia (Morrigan na Irlanda e Laima nos Países Bálticos) até aos povos do espelho e aos povos sem espelho. Mas a aventura de percepção ultrapassa-o.
Na sua superfície reflectora, e malgré lui, emergem cidades vegetais invisíveis, florestas suspensas, personagens e bichos inesperados, meio fauna meio flora. Destacam-se figuras geométricas que constituem uma sacred geometry propiciando uma sensação intensa de viajar na imobilidade. No entanto, de modo paradoxal, trata-se de uma imobilidade extremamente móvel.
Entramos numa pluralidade de mundos, num multiverso, em que se cruza uma cartografia flutuante (a fotografia) com uma nova realidade ou várias outras realidades. Ligam-se vários mundos por vir com o ‘nosso’ mundo, supostamente estável, confortavelmente tridimensional. 
O espelho insubmisso,  “O Espelho sem Mulher”, ao mesmo tempo que se afirma como máquina de ficção anuncia o fim da era narcísica e só por esse facto torna-se libertador.

Jürgen Kluppen
in A máquina de somar ficções, Berlim, 2013.